segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Da incrível arte de manusear um guarda-chuva na Avenida Paulista, às seis da tarde - parte I

O leitor paulista não vai saber o propósito do texto; vai, por certo, achar sem graça, forçado. Mas sei que lá pelas nossas bandas nordestinas, ao menos um exemplar da espécie Homo Galadus vai entender direitinho o que eu estou falando.

Um belo dia, alguém importante do meu estado, no uso das atribuições a si conferidas pela sociedade, instituiu: é proibido o uso de guarda-chuva no território potiguar. Pensei muito antes de escrever a palavra "proibido"; na verdade, não sei bem se é isso. Pode ser que ele tenha dito: "é feio", "é demodèe", "vai contra os bons costumes", ou algo assim. Só sei que a coisa pegou.

Eu, particularmente, não lembro ter usado a sombrinha uma única vez em toda a minha vida, juro por Nossa Senhora. Peguei-me pensando: eu sequer saberia onde poderia comprar semelhante raridade – talvez em algum bequinho escondido nos paralelepípedos do Alecrim; uma loja secreta, sem nome na fachada, onde se precisa proferir uma senha para entrar.

Diriam: a razão é óbvia, animal; não chove em Natal. Ao que eu retrucaria: amigo, você fala dos tempos pré-aquecimento global, vai lá em maio dar uma sacada. Chove, mas não se usa guarda-chuva. Nem capa. Nem saco de lixo. Nem nada. Natalense que é natalense se molha na chuva, não sei que porra é isso. Especulo que tenha a ver com nossa saudável característica de andarmos de carro para todo canto, mesmo se o todo canto significa a academia localizada a quinhentos metros de casa – meus irmãos que o digam. Mas, ainda assim, damos nossas curtas passadas sob o céu aberto fechado ("céu aberto" + fechado).

A peculiaridade passaria em branco nos devaneios sobre minha cidadezinha, não fosse a vinda deste caipira para a cidade grande. Eis que, de uma hora para outra, me vejo debaixo desta armação de varetas e panos, lutando contra centenas de trôpegos transeuntes, igualmente armados, por um mísero espaço livre nas calçadas da avenida famosa.

(A continuar...)

4 comentários:

  1. Gabriel, parabéns pelo blog e pelos textos aqui escritos! Tua escrita é de fino trato mesmo.

    Sucesso!

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  2. Pois é eu amigo Charles, cuidado!! Pois o guarda-chuva, assim como o maior e melhor mistério da natureza, só faz raiva e falta...

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  3. Gabriel, isso não é problema! Problema será qdo o vento começar a "dobrar" o seu guarda-chuva e este quebrar kkkkkk Bjos, menino!

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  4. eu sempre tenho a ligeira impressão que uma pontinha de guarda-chuva de outrem acertará meu olho. É por isso que normalmente quando estou com um deles acabo usando como escudo. Pareço mais um "TOAD" (aquele cogumelinho do Mário Bros) atarracada debaixo do casulo.

    Por aqui, as pessoas não usam guarda-chuva. Começa a chover e sai todo mundo andando ligeiro com um gorro, uma boina ou um capuz.. tento imitar, mas sempre chego no destino com frio e parecendo um espantalho!

    beijo de Modemoiselle Amanda!

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