Lembro que te disse das minhas linhas. Que nunca lesses imaginando serem meus aqueles sentimentos. Que não encarnasses na pele feminina dos meus dedos, achando seres tu a mulher perdida, a mulher amada, a mulher cuspida. Recordo que penasses para aceitar, achavas por certo que assim me esquivo das responsabilidades do meu pensar.
Pois. Escrevo agora. Para ti. Ainda que o "ti" seja justamente a personagem sobre quem te proibi de levantar tais suspeitas.
É sensato pensar que hoje tu acharás tudo isso uma imensa tolice, um grande despropósito. Daquele tempo, imagino, só te resta a lembrança de uma criatura chacoalhada pela juventude. Que suava entusiasmado, gargalhava sem critério e clamava para que todas as pessoas estivessem naquele momento olhando o mundo com seus olhos esbugalhadamente felizes. Já faz tempo.
Calei, ali, quando podia ter dito algumas coisas que mudariam o prumo de toda minha vida.
A primeira, e certamente mais perturbadora, é que eu gostava de ti. A segunda, e que tenta explicar o que agora disse, é que eu tinha medo. Se tive medo pois gostei, ou gostei por causa do medo, eu realmente não sei. O que asseguro é que naqueles poucos segundos que antecediam tuas respostas, nas nossas conversas perdidas na madrugada, eu me pegava enfeitiçado; e se houvesse possibilidade de veres minha face, assustar-te-ias com um bobo sorriso de pré-adolescente que desafiaria o mais incrédulo dos filósofos da paixão.
Percebes que digo coisas fortes. Mas, por favor, não me culpes. Eu tive medo.
cada texto gosto mais...mandando muito bem :)
ResponderExcluirSinto saudades de quem não tive, mas quis muito ter.
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