A cada dois anos eles surgem. Quem eles são (eles mesmo, não a sua estirpe), na verdade, não interessa muito. O que eles fazem, pior ainda. São quase sempre invisíveis cidadãos brasileiros, que incorporam, de tempos em tempos, um novo significado à sua estimada vida. São os pseudo-entendedores-de-política, raça chata de doer.
Durante os ... (deixa eu multiplicar aqui – 365 vezes 2, descontando uns dois meses, quando efetivamente começa a campanha, hmm), durante uns setecentos dias, mais ou menos, são pessoas que pouco, ou quase nada, tocam no assunto política. Não sabem, nem de longe, o que está acontecendo lá por Brasília ou pelo seu Estado. O-d-e-i-a-m esse tipo de discussão em mesa de bar. Para ter o que falar, tiram sarro de Chávez, sem bem saber por que (é um ditador, basta), e ridicularizam o presidente alcoólatra que têm.
Mas eis que, como inflamadas abelhinhas barulhentas, elas surgem no meio social. As plataformas digitais dão o primeiro alerta de chegada. O antigo nickname "Mauricinho Machado" vira agora "Mauricinho Machado – Fulano das Tapioca 17111, Pelo povo!". As fotos do Orkut ganham tarjetas brilhantes com nome e número dos preferidos. Mas é no Twitter, maldito Twitter, que eles se superam: transformam-se nos reis dos RT's. Tudo vale: "Fulano das Tapioca visitou hoje a Creche Estamos com Fome... À vitória, meu deputado!"; "Pesquisa Encomendamostudo mostra: Tapioquinha estaria na Assembleia hoje!".
A sua ideologia política alcança à moda (não tem quem faça Maria Joaquina aparecer nos cantos com blusa de outra cor que não seja azul; vermelho, jamaaais). A facada final, a derradeira cartada, símbolo máximo da devoção irrestrita ao ídolo-candidato é linda: nossos amigos, em ato de incrível adoração, entregam a fachada valiosa de seu querido automóvel! Passeiam pela cidade em seu alegórico possante, distribuindo buzinadas fraternas e sorrisos celestiais.
Bem pensei em parar por aqui. Deixaria margens para discussões. O leitor otimista certamente iria ponderar sobre a riqueza de nossa democracia, a maravilha que é a participação popular na defesa do interesse público. Veja só que beleza, calorosos partidários indo às ruas, faixas nas cabeças, lutando a favor das causas pelas quais seus peitos juvenis pulsam sem parar. Infelizmente, não dá.
Mauricinho Machado, tive que apurar, não é outro senão o sobrinho-neto de Fulano das Tapioca. Sua construtora, de uma hora para outra, andou milagrosamente conseguindo uns servicinhos junto ao Governo, e é bom que a mamata não cesse. Maria Joaquina, coitada, tem que deixar a roupa vermelha em casa, mas é por um bom motivo. Se Jorginho, seu cunhado, ganhar as eleições, vai poder permanecer no cargo lá da secretaria, onde aparece vez por outra.
Eles seguem, inabaláveis na nova causa de suas vidas. Decoraram três números que ilustram toda a magnitude do seu idolatrado, e mais três que despencam a idoneidade do candidato adversário. Se encontram alguém que conteste o que dizem, resmungam e replicam dizendo que ele está louco, não sabe nada de política. Assim aguardam o fim da peleja, o doce sabor da vitória. Sorrirão triunfantes com o sucesso, tirarão o adesivo ridículo de seus carros e retornarão a mesquinhez de suas vidas invisíveis.
nooooossa gabriel agora eu sei pq a nanami te ama!
ResponderExcluirvc escreve muuuito!
bjs
Gostei
ResponderExcluir