Seu corpo todo tremeu. Os olhos pararam de ver, apenas miraram o nada; as unhas cravaram-se no peito do outro, arrancando farpas de couro suado; o grito que crescia, ritmado na gravidade nua, rasgou-se finalmente no quarto, ecoando nos segundos de secreção e paz.
Desfaleceu-se. Tombou a cabeça no braço dele, erguendo maciamente seu seio direito. Por minutos, nada disse. Acompanhando o compasso, subia e descia de acordo com o ar que ele puxava.
- Você vai?
- Tu sabes que não posso ficar.
Passou o braço e apertou o rosto contra o peito a sua frente. Ele sentiu a lágrima quente e silenciosa escorrer sobre suas costelas.
- Você promete que volta logo?
- Te jurei nunca prometer algo.
- Nem desta vez?
- Meu amor, posso sofrer com a solidão, posso esgoelar-me com a saudade, posso te perder. Prometer que amanhã te arrancarei aos beijos de tua casa e te levarei comigo ao meu lado te fará com que hoje sonhes não mais com minha presença, mas com a lembrança do tempo em que me ver era o que mais importava em tua vida. Na minha ausência, tu rememoras com paixão minhas virtudes e vícios, ao passo que em minha inútil companhia, teus anseios não perdoarão a rotina encardida. Tu sabes que volto, e sabes que voltando, te procurarei. Mas não sou digno de te afiançar minha palavra. Serei para sempre marinheiro, e serás, para sempre, vida.
Mas pia como esta afinando a pena, esse rapaz!
ResponderExcluirbonito.
ResponderExcluirMarrapá, pia se num é o grande mestre contista piruando os blogs dos mortais. Aquele salve.
ResponderExcluirVocê já sabe, né? Adoro ler o que você escreve.
ResponderExcluirFicou muito bom.
=*
Gosto do estilo! Li Caio F. outro dia, lembrei de você (não sei exatamente porque).
ResponderExcluir=*