quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Narizinho de palhaço

Balanceando aqui no leme o prumo que o bloguinho vai tomando, nem tão lírico, nem tão cru, os dois juntos, ou nada disso, endireito por um dos assuntos que naturalmente chegam aos nossos ouvidos nestas erráticas e insensíveis segundas-feiras pós-eleições. Escapulo bravamente de toda a enxurrada televisiva – já que sobrevivo saudavelmente sem precisar saber que seiscentas e treze urnas tiveram que ser substituídas ao longo do território nacional –, mas acabo invariavelmente lendo uma ruma de patacoada que me aperreia o juízo.

O que fez Sua Excelência Deputado Francisco Everardo Oliveira Silva na vida das pessoas para que agora merecesse o posto de cidadão mais odiado do Brasil? Por que esta nova algazarra generalizada em virtude da eleição de um honesto trabalhador, ainda mais engraçadíssimo? Que escândalo é esse que levantou vozes tuiteiras que sempre se mantiveram caladas quando o assunto era política? Vou me ater a um só ponto que considero importante.

Que tem alguma coisinha errada neste nosso capenga sistema eleitoral, ah isso tem. Ai de mim adentrar nos meandros deste lamaçal todo, mas só de soslaio: a indústria do voto, que incrível, não nasceu com Tiririca. Vez por outra, aliás, me pego comparando o nosso querido palhaço cearense com uns ilustres engravatados por aí, também com passaporte carimbado para Brasília. Óbvio que nenhum do Rio Grande do Norte, estado vanguardista na decência cívica. Hmm, a comparação – não sei viu? Os quatro patinhos na lagoa ganhariam possivelmente mais uma dedada.

O meu e o teu voto não são melhores que o voto de ninguém. Temos a pedante mania de nos acharmos OS esclarecidos, OS instruídos, OS sabidões, e os outros, um bando de iletrados ignorantes, que vendem sua cidadania em troca de saco de farinha. Pois veja, eu nasci na mesmíssima casa que minha amada irmã, me alimentei dos mesmos camarõeszinhos que nos foram ofertados, idem para educação e tudo o mais. Resultado: todos os nossos votos foram diferentes, todos. Eu estou certo ou ela? Ou quem optou por escolher alguém humilde e honesto, parecido com ele, para fazer valer seus interesses (ah não, a pobrada não tem instrução pra escolher seus preferidos). O outro lá, banqueiro mascarado, porém sem peruca, é quem vai olhar pelos migrantes nordestinos, né? Pff.

Que se faça então o que minha irmãzinha sugeriu: um teste de proficiência em espírito público (para ela, a palavra era "gestão"). Senhores, não estou sendo hipócrita ou dissimulado: eu não sei quem passaria. Possivelmente ninguém. Só que não venha então crucificar o tal do Francisco Everardo. Pior foi o teu amigo, que votou naquele lá que tu conheces: o Mauricinho Machado (se não lembra, clique aqui), sabe? Será que é o Tiririca mesmo que não sabe ler? Ou o teu amigo, que não se lembra daquela denúncia que apareceu nos jornais?

Há uma total inversão de valores e há um mulambento processo eleitoral. A eleição de um palhaço é significativa para se perceber que as nossas casas políticas espalhadas pelo país transformaram-se verdadeiramente em circos armados. Só que antes de levantar da cadeira e querer empurrar o nosso protagonista para assistente do lançador de facas, vale a pena prestar atenção aos gatunos e bem vestidos malabaristas, antes que o globo fique apertado demais para podermos rodar.

3 comentários:

  1. Nossa, vc escreve muito bem! conheço vários blogs aqui de Natal, mas não havia visto nenhum como o seu ainda... parabéns! É bom ler algo diferente e interessante de vez em quando.Sucesso p vc.

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  2. mais bobo que banda de rock que o palhaço do circo wostock: nós?

    ass. daqui da frança para sampa.

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