domingo, 19 de dezembro de 2010

Encontrinho feminino pós-Blackberry e Iphone

Paty_Maya_ I'm at Pitanga Bar (Rua Ângelo Varela, 1033, Tirol, Natal, RN Brasil). http://4sq.com/dt293f

Juh_alves @Paty_maya_ Amigas reunidas é o que importa! #absolutcomredbull

MariiSouza @Paty_maya @Juh_alves ATOOOOOOOROOOON! KKK

Nahzinhaaa_ Liiiiiinnnndaaaaaaaaaas!!! http://twitpic.com/dk23ja

Juh_alves Aproveitando muuuito com minha amiga maravilhosa @Paty_maya que eu não via a um tempão

Nahzinhaaa_ @Juh_alves Fiquei com ciúmes agora kkkkk Só tava com saudade de @paty_maya é? Kkkk

Juh_alves @Nahzinhaaa_ Aiii amiiiigaa, desculpaa! Você sabe que eu te amo de paixão, lindaaa.

MariiSouza Nada melhor do que uma saidinha com as amigas depois de 3 horas na academiaa. Ufaa, quase desmaio #projetoverão

Paty_maya @MariiSouza Tou no shake todo dia friend, tem que secar pra esse verão kkkkk

MariiSouza Nossa, essa sirigueloska veio forte demais. Animar que a night prometeee kkk, né @Juh_alves?

Nahzinhaaa_ RT @HugoGloss BOA NOITE vc q tá preocupado c/ sua solteirice. Fifi, enquanto houver álcool, solteirice jamais será problema

Juh_alves kkkkkkkkk Só tenho amiga loucaaaa #socoooorro

Paty_maya RT @Juh_alves kkkkkkkkk Só tenho amiga loucaaaa #socoooorro

MariiSouza kkkkkk RT @Juh_alves kkkkkkkkk Só tenho amiga loucaaaa #socoooorro

Paty_maya E hoje, qual a boa???

Juh_alves @Paty_maya Não vou mentir que queria minha Pacha de Ibiza #tipoNOW

Nahzinhaaa_ @Paty_maya Por mim tanto faz, desde que role Banga depois #nãovoupracasaQueroafter

MariiSouza ADOROOOOOO RT @Nahzinhaaa_ Por mim tanto faz, desde que role Banga depois #nãovoupracasaQueroafter

Juh_alves Cheers! http://yfrog.com/dsi34S 

Nahzinhaaa_ Tem gente ressucitando os falecidos aquii. Enterraaaaa esse povooo omi #roedeirafeelings

Paty_maya @Nahzinhaaa_ Coisinha lindaaa aquela peruca dela ... NOT kkkkkkkkkkkkk

Juh_alves Chama o IBAMAAAAAAA que a coisa tá feiaa

MariiSouza Vamos aprender a se valorizar, meu povo! Amor próprio é essencial! #ficaadica

Paty_maya Angra no Reveillon!!! Matriculada! Quem perdeu que contee Uhhuuu

Juh_alves @Paty_maya Separa o champa que eu vou com tudooo. Matriculada [2]! BAPHOOOO!

Nahzinhaaa_ Vou sim, quero sim, posso sim, POIS NINGUÉM MANDA EM MIM. Matriculada [3]! Vai levar falta @MariiSouza.

MariiSouza @Nahzinhaaa_ Aiii amiga, nem me fale. Se joga por mim. Podia ir, mas você sabe, família é tudo né?

Juh_alves @MariiSouza @Nahzinhaaa_ @Paty_maya Família e amigas VERDADEIRAS é tudo, né? #sinceridade

Paty_maya Falou e disse sis RT Juh_alves Família e amigas VERDADEIRAS é tudo, né? #sinceridade

Nahzinhaaa_ ASOLUTinha minha querida, por que desces tão rápido? kkkkkk http://twitpic.com/aO32h5 

MariiSouza Pitanga bombandooooo com as bests @Nahzinhaaa_ @Paty_maya e @Juh_alves

Paty_maya Eu amo as minhas amigas!!!!!!

Nahzinhaaa_ RT @Paty_maya Eu amo as minhas amigas!!!!!!

MariiSouza Almocinho amanhã pra continuar a fofoca, viu amigas? Precisamos acertar os detalhes desse tal de carnaval em Salvador #adoro

Juh_alves @MariiSouza ADOROOOOOOOOOOOOOO

Paty_maya Vai ser tudo! E fds tem Safadãoooo. Alô @mauricinhoMch, vai logo reservando nossa mesa no pé do palco viuuun?

Nahzinhaaa_ @Paty_maya kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk  

Juh_alves Altoooos papos com as friends @Nahzinhaaa_ @Paty_maya e @Juh_alves Amo muitooooooooooooo!

MariiSouza @Paty_maya @Juh_alves @Nahzinhaa Adorei a noite, AMIGAS. É sempre maravilhoso estar com vocês. Obrigado por existirem #amomuito


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Agradecimento especial a @clarabezerra_, também conhecida como minha irmã, pela ajuda na elaboração do texto. Adooooooro! rs.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A desastrosa epopeia do cabaço de Riquelme

O assunto do cabaço de Riquelme virou pauta constante lá em casa. Chegava uma visita desprevenida, lá ia o salivante peludo em sua direção, precipitando seu imenso corpanzil sobre as pernas da desafortunada e iniciando suas obscenidades constrangedoras. Minha mãe não aguentou mais. Exigiu que arrumássemos uma cadela para que o maldito mamute pudesse descarregar sua púbere vivacidade. Após longa procura, conseguimos.

Mel chegaria no dia seguinte. Era fundamental criar uma atmosfera propícia ao romance, afinal é bem sabido que é a primeira impressão que fica. Deu-se início a mobilização para o embelezamento de Riquelme. O passo inicial, sabiamente capitulado por alguém como "descarrapatização", correu bem. Ele pareceu gostar, dando os tradicionais chutinhos quando tocávamos em alguma zona cocegarígena. Ao final, percebi um olhar meio nostálgico, como se ali estivesse se despedindo de bons e velhos amigos, que há meses compartilhavam de seu sangue.

O banho. Morando cinco bestas preguiçosas nesta residência, achamos por bem enviar o quadrúpede para cuidados profissionais. Gosto de pensar que sua higienização foi como um verdadeiro ritual de ofurô, acompanhado de suave música canina e velas com essência de tutano. Até consigo imaginar sua cara de satisfação, revirando os olhinhos enquanto escorria litros e mais litros de baba. Ele voltou todo cheio dos não me toques, trajando uma gravatinha colorida estilo pré-adolescente-"tou-na-moda".

Não é difícil supor que Riquelme estivesse já com aquilo pela cabeça. Segundo explicam os estudiosos, cada ano canino equivale a sete dos humanos. Utilizando nossa contagem, o pobre permanecia virgem quase aos trinta anos. Trinta anos! Deus sabe o que deve ter passado por sua cabeça quando Mel entrou pelo portão, lacinho cor-de-rosa na cabeça, andar de rechonchuda elegante, exalando talco e óvulos. Deve ter ficado louco.

Uma verdadeira plateia armou-se, por trás do vidro, para acompanhar o acontecimento. Após o cheira-cheira inicial, o jogo de sedução começou. Riquelme mostrou-se um autêntico gentledog, oferecendo o seu buraco na areia para o descanso da donzela. Só o tapete é que a impediu de usar, por certo querendo mostrar que também precisava de um espaço só para si. Passearam pelo jardim, rolaram pela grama, dividiram o balde d'água – a simbiose mágica, o amor. Quase.

Faltava o gran finale, a apoteose, o final fatality. Faltava a cópula e estariam todos, da minha mãe às visitas, da proprietária de Mel aos astros, estaríamos todos exultantes de felicidade, abraçando-nos em meio a estouros de champanhe e votos de boas festas. Mas não. Víamos o erguer das patas, que não revelavam mais que um peso sobre as costas da cachorra. Víamos os inócuos movimentos, sem qualquer propósito, a la comédia de besteirol americano. Víamos a face impaciente da bichinha, que, desapontada, começava a pensar que o problema era consigo. Víamos e, impotentes, não podíamos fazer nada. Riquelme não conseguiu.


Riquelme (a esq.) revira os olhos e faz carinho em Mel. Ele não conseguiu.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Escadinha do preconceito

Sinto muito, mas naquele planeta eu não piso meus jupiterianos pezinhos azuis. Por mim, tanto faz se seus habitantes esquentam a temperatura de seu chiqueiro e elevam seus ridículos mares. Para uma raça tão inferior, tão ignóbil, nada mais de se esperar além do seu auto-aniquilamento. Pois que se afoguem todos de mãos dadas, criaturas desprezíveis e que enojam nossa galáxia. Daqui do alto de um verdadeiro astro vialacteano – grande, pomposo e sublime –, verei com prazer a derrocada, mais do que na hora, desse ninho de urubus fétidos, que chamam Terra.

Ah, já ouvi, sim, falar de lá. Não é aquele país das bundas maravilhosas? Nossa, man, aquelas mulheres são quentes! Deve ser um tesão fazer sexo com elas no meio da selva, com os gorilas batendo os punhos no peito. Mas, vem cá, como é vocês conseguem se segurar naqueles cipós e se movimentar around? E outra, tem o lance dos canibais, né? Bem que podiam mandar a cambada de mexicanos para lá. Que ardam junto com todos aqueles barbudos terroristas, que querem destruir nossa grande pátria democrática. Pensando bem, acho melhor ficar aqui mesmo, sentadinho com meu Méqui, a salvo dos perigos desse resto de mundo.

É o que te digo... enquanto essa pobrada iletrada permanecer fazendo parte do nosso país, nós não temos jeito, mano! Nós que trampamos o ano inteiro, produzimos toda a riqueza da nação, temos que manter um bando de preguiçoso aproveitador? Esse povo não faz nada e ainda recebe bolsa-esmola do governo! O que é mais revoltante é que deixam o voto deles ter o mesmo valor que o meu. Não tem, mano! Eu trabalho! Eu tenho carro! Eu sou alfabetizado! Não posso ser comparado àqueles cabeças chatas do norte. Depois de invadirem nossa cidade, trazendo aquele sotaque patético, ainda querem escolher o presidente do Brasil? Pois se ouvir falarem um "ti", ao invés de "txi", vou meter lamparada na cara deles, para aprenderem a respeitar nossa elite!


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Segundo o Aurélio, etnocentrismo é a "tendência do pensamento a considerar as categorias, normas e valores da própria sociedade ou cultura como parâmetro aplicável a todas as demais". O mundo não é Júpiter, a Terra não é os Estados Unidos, o Brasil não é o Sul-Sudeste. A diferença faz parte da vida. A diferença é a própria vida. Toda forma de preconceito é burra. Toda forma de preconceito esconde ignorância ou recalque.

domingo, 14 de novembro de 2010

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Lembro que te disse das minhas linhas. Que nunca lesses imaginando serem meus aqueles sentimentos. Que não encarnasses na pele feminina dos meus dedos, achando seres tu a mulher perdida, a mulher amada, a mulher cuspida. Recordo que penasses para aceitar, achavas por certo que assim me esquivo das responsabilidades do meu pensar.

Pois. Escrevo agora. Para ti. Ainda que o "ti" seja justamente a personagem sobre quem te proibi de levantar tais suspeitas.

É sensato pensar que hoje tu acharás tudo isso uma imensa tolice, um grande despropósito. Daquele tempo, imagino, só te resta a lembrança de uma criatura chacoalhada pela juventude. Que suava entusiasmado, gargalhava sem critério e clamava para que todas as pessoas estivessem naquele momento olhando o mundo com seus olhos esbugalhadamente felizes. Já faz tempo.

Calei, ali, quando podia ter dito algumas coisas que mudariam o prumo de toda minha vida.

A primeira, e certamente mais perturbadora, é que eu gostava de ti. A segunda, e que tenta explicar o que agora disse, é que eu tinha medo. Se tive medo pois gostei, ou gostei por causa do medo, eu realmente não sei. O que asseguro é que naqueles poucos segundos que antecediam tuas respostas, nas nossas conversas perdidas na madrugada, eu me pegava enfeitiçado; e se houvesse possibilidade de veres minha face, assustar-te-ias com um bobo sorriso de pré-adolescente que desafiaria o mais incrédulo dos filósofos da paixão.

Percebes que digo coisas fortes. Mas, por favor, não me culpes. Eu tive medo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Papeado de carteiro

Havia alguma coisa de nobre no seu andar de carteiro. Não que o seu bom dia fosse assim mais de respeito que o do pessoal, ou que aprumasse com maior pompa os envelopes na portinhola. Na verdade, acho que não me engraçaria tão à toa por aquele tiquinho de gente, inda mais metido naquele apapagaiado terninho amarelazul. Mas era, bom que se diga, de feitura aprazível, nem pouco, nem muito, mas tudo nos conformes, conforme se diz.

Foi quando inventou de se chegar, na sua mansidão de beira de estrada. Por certo viu que as correspondências do Dr. Juarez não vieram aquela semana, pois que perguntou baixinho: o patrão viajou pros estrangeiro? Confesso que estranhei, cabra assim dando conta da rotineira do escritório. Mas, nem bem pensei, ele mandou outra: fôsse tu, pudesse escolher as férias da vida, como é que seria? Aí foi demais. Seu Entregador, não se chateia não, mas vê que a papelada tá pesada pro dia de hoje – foi o que eu disse. E de fato tava, num sabe? Mas foi mais de acanhamento. Queira ou não, eu ainda tava com Eliélton na época. E tudo se transcorreu sem maior novidade naquela sex... sim, era sexta.

Acontece que essas coisas de sentimento a gente não sabe como é que é, né mesmo? Não foi que no caminho da lotação, no meio daquele espremido de nhaca, eu não me peguei pensando nas férias que eu sonhava ter? Foi tanto de pensamento doido, imaginando o tal do dia perfeito, viajando, num sei quê mais, que quase que perdi o ponto. Acordei meio desconfiada, com vergonha dos outros estarem ouvindo minha imaginação. Lembro que o falecido ligou depois, avisando que a moto pifara, e que não apareceria lá em casa pra nosso filme de sempre. Nem reclamei, acredita? Só sei que naquela noite, já deitada, tive um sonho esquisito. Eu tava num avião, toda posuda, indo visitar as Europa, quando reparava que a portinha da cabine tava aberta; eu esfregava os olhos pra poder enxergar direito, até que pude reparar bem: quem pilotava a nave era o bendito do carteiro.

Se eu dissesse que foi fácil, a partir daí, eu tava mentindo, mulher. Dá umas gasturas escabrosa pensar em ter que trocar o certo pelo duvidoso, a papa de aveia pelo picolé de limão. É ruim, aperta as tripas, embrulha as ideias, desperta vontade de dar grito. Subia a ruela de carreira, só queria saber de ficar só, pramóde de aguardar uma graça que arrancasse aquela ruma de confusão do meu cocuruto.

Só que o troço foi ficando mais e mais grave. Não tivesse você com pressa pra se ir, eu contava da segunda-feira, quando o danado se chegou com outra pergunta, queria saber qual tinha sido a primeira coisa que eu tinha pensado naquela manhã, pode isso? Ou da terça, quando me dizia pra contar de qual lado da pasta de dentes eu começava apertando, se do finzinho ou da boca. Não sei bem da onde ele tirava aquelas invenção. Pra mim era coisa de gente desmiolada, mas, biruta ou não, na quinta nem na sexta ele foi, e eu dei falta daqueles nossos cinco minutinhos de lero-lero.

Quando dei por mim, já não havia mais Eliélton, papa de aveia ou certeza na minha vida. Entreguei tudo pra Deus, sabe? Aquele carteirinho já era a salvação do meu dia, a única coisa que realmente importava. Vinha sempre com as histórias que via nos becos, um tal de um gato malhado que ficou preso no bueiro, um molecote que tinha as canela preta, pois que não conseguia esticar o braço pra lavar com sabão, a cantiga de um caracol que perdeu a gosma e não pôde mais andar... Eu riiiiiia, mulher. Hoje arrepito o que ele me disse no dia que o porta-cartas se rasgou debaixo de chuva: tudo é muito simples, tudo é muito simples; a gente é que cria os problema.


***

Em tempo, o texto sobre a arte de portar um guarda-chuva acabou ficando mesmo sem Parte Final. A intenção não era dividí-lo, mas o pobre do blogueiro adormeceu e não conseguiu acabar tudo no mesmo dia. Entraria agora a parte que falava propriamente do congestionamento de sombrinhas, na Paulista. Só que a ideia já não me parece mais tão interessante de se escrever. Se um dia sair, damos um jeito de consertar a bagunça.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Da incrível arte de manusear um guarda-chuva na Avenida Paulista, às seis da tarde - parte I

O leitor paulista não vai saber o propósito do texto; vai, por certo, achar sem graça, forçado. Mas sei que lá pelas nossas bandas nordestinas, ao menos um exemplar da espécie Homo Galadus vai entender direitinho o que eu estou falando.

Um belo dia, alguém importante do meu estado, no uso das atribuições a si conferidas pela sociedade, instituiu: é proibido o uso de guarda-chuva no território potiguar. Pensei muito antes de escrever a palavra "proibido"; na verdade, não sei bem se é isso. Pode ser que ele tenha dito: "é feio", "é demodèe", "vai contra os bons costumes", ou algo assim. Só sei que a coisa pegou.

Eu, particularmente, não lembro ter usado a sombrinha uma única vez em toda a minha vida, juro por Nossa Senhora. Peguei-me pensando: eu sequer saberia onde poderia comprar semelhante raridade – talvez em algum bequinho escondido nos paralelepípedos do Alecrim; uma loja secreta, sem nome na fachada, onde se precisa proferir uma senha para entrar.

Diriam: a razão é óbvia, animal; não chove em Natal. Ao que eu retrucaria: amigo, você fala dos tempos pré-aquecimento global, vai lá em maio dar uma sacada. Chove, mas não se usa guarda-chuva. Nem capa. Nem saco de lixo. Nem nada. Natalense que é natalense se molha na chuva, não sei que porra é isso. Especulo que tenha a ver com nossa saudável característica de andarmos de carro para todo canto, mesmo se o todo canto significa a academia localizada a quinhentos metros de casa – meus irmãos que o digam. Mas, ainda assim, damos nossas curtas passadas sob o céu aberto fechado ("céu aberto" + fechado).

A peculiaridade passaria em branco nos devaneios sobre minha cidadezinha, não fosse a vinda deste caipira para a cidade grande. Eis que, de uma hora para outra, me vejo debaixo desta armação de varetas e panos, lutando contra centenas de trôpegos transeuntes, igualmente armados, por um mísero espaço livre nas calçadas da avenida famosa.

(A continuar...)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Narizinho de palhaço

Balanceando aqui no leme o prumo que o bloguinho vai tomando, nem tão lírico, nem tão cru, os dois juntos, ou nada disso, endireito por um dos assuntos que naturalmente chegam aos nossos ouvidos nestas erráticas e insensíveis segundas-feiras pós-eleições. Escapulo bravamente de toda a enxurrada televisiva – já que sobrevivo saudavelmente sem precisar saber que seiscentas e treze urnas tiveram que ser substituídas ao longo do território nacional –, mas acabo invariavelmente lendo uma ruma de patacoada que me aperreia o juízo.

O que fez Sua Excelência Deputado Francisco Everardo Oliveira Silva na vida das pessoas para que agora merecesse o posto de cidadão mais odiado do Brasil? Por que esta nova algazarra generalizada em virtude da eleição de um honesto trabalhador, ainda mais engraçadíssimo? Que escândalo é esse que levantou vozes tuiteiras que sempre se mantiveram caladas quando o assunto era política? Vou me ater a um só ponto que considero importante.

Que tem alguma coisinha errada neste nosso capenga sistema eleitoral, ah isso tem. Ai de mim adentrar nos meandros deste lamaçal todo, mas só de soslaio: a indústria do voto, que incrível, não nasceu com Tiririca. Vez por outra, aliás, me pego comparando o nosso querido palhaço cearense com uns ilustres engravatados por aí, também com passaporte carimbado para Brasília. Óbvio que nenhum do Rio Grande do Norte, estado vanguardista na decência cívica. Hmm, a comparação – não sei viu? Os quatro patinhos na lagoa ganhariam possivelmente mais uma dedada.

O meu e o teu voto não são melhores que o voto de ninguém. Temos a pedante mania de nos acharmos OS esclarecidos, OS instruídos, OS sabidões, e os outros, um bando de iletrados ignorantes, que vendem sua cidadania em troca de saco de farinha. Pois veja, eu nasci na mesmíssima casa que minha amada irmã, me alimentei dos mesmos camarõeszinhos que nos foram ofertados, idem para educação e tudo o mais. Resultado: todos os nossos votos foram diferentes, todos. Eu estou certo ou ela? Ou quem optou por escolher alguém humilde e honesto, parecido com ele, para fazer valer seus interesses (ah não, a pobrada não tem instrução pra escolher seus preferidos). O outro lá, banqueiro mascarado, porém sem peruca, é quem vai olhar pelos migrantes nordestinos, né? Pff.

Que se faça então o que minha irmãzinha sugeriu: um teste de proficiência em espírito público (para ela, a palavra era "gestão"). Senhores, não estou sendo hipócrita ou dissimulado: eu não sei quem passaria. Possivelmente ninguém. Só que não venha então crucificar o tal do Francisco Everardo. Pior foi o teu amigo, que votou naquele lá que tu conheces: o Mauricinho Machado (se não lembra, clique aqui), sabe? Será que é o Tiririca mesmo que não sabe ler? Ou o teu amigo, que não se lembra daquela denúncia que apareceu nos jornais?

Há uma total inversão de valores e há um mulambento processo eleitoral. A eleição de um palhaço é significativa para se perceber que as nossas casas políticas espalhadas pelo país transformaram-se verdadeiramente em circos armados. Só que antes de levantar da cadeira e querer empurrar o nosso protagonista para assistente do lançador de facas, vale a pena prestar atenção aos gatunos e bem vestidos malabaristas, antes que o globo fique apertado demais para podermos rodar.