sexta-feira, 6 de maio de 2011

Cacos

Quando retornei o rosto e reparei, ela já não estava mais lá.

Quer dizer, estar ela estava, só que não mais a mulher que há dois segundos me havia fustigado o braço. Melhor: era ela, só que voltada no tempo. A mesma face que pouco antes vertia uma incontrolável fúria imediatamente acalmou. Apareceu uma menina, dois ou oito anos mais moça (como vou saber), que por pouco não reconhecia.

Os olhos, de um vermelho agressivo, descontrolado, apertaram-se num acalento de santa. Mesmíssima boca que logo atrás havia proferido os mais violentos insultos agora exibia a doçura de um sorriso apaixonado. Não que eu julgue estivesse apaixonado, mas porque o semblante próprio dizia, por mais mudo que um semblante seja. Na verdade, som algum havia naquela hora.

As suas unhas, ainda que permanecessem encravadas na minha pele, não mais machucavam; ou talvez machucassem, não sei, mas ali o destempero já fazia certo sentido. Porque tudo ali já fazia sentido: o nosso tempo, orgasmo, o nosso nós dois. Não mais era o projeto fracassado de uma tentativa de amor, era o próprio amor, transvestido de passado.

A menina, imóvel e calada, admitiu que ali morríamos. Que morríamos no passado de ternura que por certo já parecia oco. Que não tinha importância já não mais lembrarmos – ele existiu, em algum travesseiro da vida, em algum pum engraçado, ou mesmo, em uma caixa de papelão azul repleta de cartinhas, engavetada atrás dos mais desprezíveis objetos.

Antes que conseguisse me endireitar, antes mesmo que conseguisse pensar em me endireitar, a aparição esvaeceu. Dissipou-se numa poeira de cacos. Uma nuvem fina e gelada que voou para bem longe.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Tudo passa... bem, quase tudo

Minha mãe, muito provavelmente, coitada, não deve ter tido tempo ou cabeça para isso. Devia estar toda inchada, ainda recuperando-se da bem sucedida incisão transversal em seu ventre, e atarefadíssima, cuidando para que seu rebento sucedesse nas sucções. Devia estar alegre demais para tanto, pelo menos é o que espero. Painho, igualmente, não deve ter se interessado – imagino que estivesse nervoso ante a chegada de mais uma boca para alimentar, e um pouco alterado, desgostoso de ver surgir um bacuri bem mais feio do que esperava. O fato é que nenhum deles deve ter lido o jornal naquele longínquo 31 de março de 1985.

Se tivessem lido, é bem verdade, não teria feito qualquer diferença. O homem não chegara a Marte nesse dia, nenhum papa morrera, nada de terremoto ou desastre nuclear. Nada de novo, como diz o outro, apenas o nascimento pós-maturo deste que vos escreve – à época, um tanto cabeludo e com unhas grandes, segundo consta. Pouco mais de vinte e seis anos depois, o filho de dona Vânia não precisa lhe pedir que vasculhe a memória a fim de saciar sua curiosidade adolescente (?); não, a tecnologia ajuda.

Há algum tempo, a Folha disponibilizou todo o seu acervo na Internet, desde as primeiras publicações, em 1921. E como é grande a vaidade humana, fui lá diretamente à data em que nasci, talvez com aquela ingênua ilusão de enxergar "Nasce o grande homem" estampado na primeira página. Não encontrei, droga. Mas foi interessante imaginar em que pé estava o mundo quando calhei de invadi-lo – o que, por uma tortuosa argumentação (que Deus me livre sobre ela debruçar agora), comprova inequivocamente que Ele não existe.

Vem ao acaso, apenas, saborear as notícias. Era edição de domingo, e o Brasil fervilhava politicamente. Tancredo estava morre, não morre – esta, sim, a manchete de capa. Em uma carta do leitor, o pedido emocionado: "Não nos deixe. O Brasil espera pelo senhor. O povo espera pelo senhor. O seu povo o espera e chora junto a sua dor. Não se vá agora, bravo mineiro".

A impressão era de haver uma enorme incerteza, um medo de que a "transição democrática" (expressão usada umas 394 vezes ao longo do jornal) fosse interrompida. E, de fato, havia enormes razões para tanto: os ministros das Forças Armadas, em "ordens-do-dia" publicadas na página 4, amistosamente saudavam os "camaradas" ou "comandados", dando vivas ao aniversário do "Movimento de 31 de março de 1964". Leitura interessantíssima.

Aqui e ali uma dica quanto à orientação política do jornal à época, mas não entremos neste mérito – apenas uma olhada no Editorial, intitulado "Greve Inoportuna". Personagem principal: o então líder de sindicato, Lula, que não só pleiteava benefícios salariais; "não estando excluído, por certo, o propósito de conseguir dividendos políticos através de uma eventual catalisação de anseios oposicionistas". A Folha continua: "Deve-se, no entanto – quando estão em jogo também os interesses maiores da preservação de um clima favorável à delicada transição política em curso [again] – fazer considerações sobre a oportunidade da escolha da greve como instrumento privilegiado de pressão trabalhista neste momento". Sem mais.

A sensação é de estar estudando história não por um livro didático, mas por caderno de campo - realidade em movimento. São várias as matérias curiosas, que antes pensava em trazer, mas desisto, vendo agora o tamanho do texto. Super emblemáticas as propagandas, de máquinas de costurar ao moderníssimo Atari (que acabei ganhando alguns anos depois). Engraçado, também, ver que era independência da Namíbia, país 'x' que por uma mirabolante coincidência, conheci de cabo a rabo. Vida que se passa, passado que se vai. Ou não. Da Sucursal de Brasília, outra notícia do dia: "Sarney discute segundo escalão do governo hoje". É.  Certas coisas não mudam.

terça-feira, 22 de março de 2011

Até que o ônibus parta, amanhã

Deita. Deixa o caso para mais tarde. É tarde. Dorme que logo mais é dia, e você sabe que amanheceres me deixam melancólico. Assume teu lado da cama. Calma, não, já disse, não falarei mais; eu precisava ir, sim; ela é minha mãe, ora; ai, não tem essa de ser mais importante; para, para, não, PARA. Para quê choro? Eu estou aqui. Tá, desculpa, fui grosso, mas é que já surgem os primeiros raios, olha lá. Amanhã já vem. Nem lembrará mais por que me veio gritar. Eu sei, eu sei, você sabe que, se eu pudesse, seriam suas todas as horas. Não senhora, volto rapidinho, conta tuas duas luas, que apareço. Não esqueço seu recado, fica tranquila. Dorme. A vida não dorme. Combinamos de nos encontrar nos sonhos, depois que o ônibus partir.

domingo, 13 de março de 2011

Abstinência

- Nem um textinho sequer? Nem aqueles mini-contos, que tão na moda?

- Nada, amor. Nem frase de efeito pra Twitter alheio sai. Travou tudo.

- Mas você ia tão bem. Quase um texto por semana, comentários elogiosos...

- Que nada. Era tudo uma grande bosta. Se você soubesse a vergonha que me dá olhar pr'aquelas velharias. Pior, acabo de escrever algo, releio, já me parece um rabisco feito por recém-nascido.

- Mas vai me dizer que não gerava boa repercussão?

- Balela. Quando descobrem que você deu pra escrever, até dão pitaco, como que acalentando: "pobre coitado, endoidou de vez... até que é gente boa, vou aqui dizer que tá bom".

- Rá.

- Mas não? Quem em sã consciência vai sujar seu nome, comentando mais de uma vez o site dos outros?

- No blog da Betty, elas comentam.

- ...

- Eu vi um monte de gente te elogiando, nos comentários.

- Um monte de anônimos?

- Ai, você tá chato.

- A propósito, tou começando a achar que você escreve os comentários anônimos. Metade você, metade mainha.

- Meu Deus, o pobre coitado endoidou de vez...

- Tá feito, parei. Vou deletar esta porcaria!

- Não seja tão cruel consigo mesmo. Você manda bem, só deve estar passando por uma fase sem inspiração.

- Você não entende. Nunca fui de acreditar naqueles profissionais da pena, que ganham baseados em produção. "Tem que ser uma crônica por semana, um conto por dia". Tem cabimento?

- Só que aí vem a onda da disciplina. Senta a bunda na cadeira e só sai quando tiver pronto.

- Minha linda, o texto precisa dormir. Ele desperta como pedra bruta, cheio de arestas, tomado por imperfeições. Pense no vinho, todo aquele processo da uva, fermentando, ou seja lá o que for. O texto precisa fermentar.

- Sei. Por que não tenta lá tuas poesias, por enquanto?

- Respeita, mulher. Tá insinuando o quê?

- An?

- Deixa pra lá. 

domingo, 19 de dezembro de 2010

Encontrinho feminino pós-Blackberry e Iphone

Paty_Maya_ I'm at Pitanga Bar (Rua Ângelo Varela, 1033, Tirol, Natal, RN Brasil). http://4sq.com/dt293f

Juh_alves @Paty_maya_ Amigas reunidas é o que importa! #absolutcomredbull

MariiSouza @Paty_maya @Juh_alves ATOOOOOOOROOOON! KKK

Nahzinhaaa_ Liiiiiinnnndaaaaaaaaaas!!! http://twitpic.com/dk23ja

Juh_alves Aproveitando muuuito com minha amiga maravilhosa @Paty_maya que eu não via a um tempão

Nahzinhaaa_ @Juh_alves Fiquei com ciúmes agora kkkkk Só tava com saudade de @paty_maya é? Kkkk

Juh_alves @Nahzinhaaa_ Aiii amiiiigaa, desculpaa! Você sabe que eu te amo de paixão, lindaaa.

MariiSouza Nada melhor do que uma saidinha com as amigas depois de 3 horas na academiaa. Ufaa, quase desmaio #projetoverão

Paty_maya @MariiSouza Tou no shake todo dia friend, tem que secar pra esse verão kkkkk

MariiSouza Nossa, essa sirigueloska veio forte demais. Animar que a night prometeee kkk, né @Juh_alves?

Nahzinhaaa_ RT @HugoGloss BOA NOITE vc q tá preocupado c/ sua solteirice. Fifi, enquanto houver álcool, solteirice jamais será problema

Juh_alves kkkkkkkkk Só tenho amiga loucaaaa #socoooorro

Paty_maya RT @Juh_alves kkkkkkkkk Só tenho amiga loucaaaa #socoooorro

MariiSouza kkkkkk RT @Juh_alves kkkkkkkkk Só tenho amiga loucaaaa #socoooorro

Paty_maya E hoje, qual a boa???

Juh_alves @Paty_maya Não vou mentir que queria minha Pacha de Ibiza #tipoNOW

Nahzinhaaa_ @Paty_maya Por mim tanto faz, desde que role Banga depois #nãovoupracasaQueroafter

MariiSouza ADOROOOOOO RT @Nahzinhaaa_ Por mim tanto faz, desde que role Banga depois #nãovoupracasaQueroafter

Juh_alves Cheers! http://yfrog.com/dsi34S 

Nahzinhaaa_ Tem gente ressucitando os falecidos aquii. Enterraaaaa esse povooo omi #roedeirafeelings

Paty_maya @Nahzinhaaa_ Coisinha lindaaa aquela peruca dela ... NOT kkkkkkkkkkkkk

Juh_alves Chama o IBAMAAAAAAA que a coisa tá feiaa

MariiSouza Vamos aprender a se valorizar, meu povo! Amor próprio é essencial! #ficaadica

Paty_maya Angra no Reveillon!!! Matriculada! Quem perdeu que contee Uhhuuu

Juh_alves @Paty_maya Separa o champa que eu vou com tudooo. Matriculada [2]! BAPHOOOO!

Nahzinhaaa_ Vou sim, quero sim, posso sim, POIS NINGUÉM MANDA EM MIM. Matriculada [3]! Vai levar falta @MariiSouza.

MariiSouza @Nahzinhaaa_ Aiii amiga, nem me fale. Se joga por mim. Podia ir, mas você sabe, família é tudo né?

Juh_alves @MariiSouza @Nahzinhaaa_ @Paty_maya Família e amigas VERDADEIRAS é tudo, né? #sinceridade

Paty_maya Falou e disse sis RT Juh_alves Família e amigas VERDADEIRAS é tudo, né? #sinceridade

Nahzinhaaa_ ASOLUTinha minha querida, por que desces tão rápido? kkkkkk http://twitpic.com/aO32h5 

MariiSouza Pitanga bombandooooo com as bests @Nahzinhaaa_ @Paty_maya e @Juh_alves

Paty_maya Eu amo as minhas amigas!!!!!!

Nahzinhaaa_ RT @Paty_maya Eu amo as minhas amigas!!!!!!

MariiSouza Almocinho amanhã pra continuar a fofoca, viu amigas? Precisamos acertar os detalhes desse tal de carnaval em Salvador #adoro

Juh_alves @MariiSouza ADOROOOOOOOOOOOOOO

Paty_maya Vai ser tudo! E fds tem Safadãoooo. Alô @mauricinhoMch, vai logo reservando nossa mesa no pé do palco viuuun?

Nahzinhaaa_ @Paty_maya kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk  

Juh_alves Altoooos papos com as friends @Nahzinhaaa_ @Paty_maya e @Juh_alves Amo muitooooooooooooo!

MariiSouza @Paty_maya @Juh_alves @Nahzinhaa Adorei a noite, AMIGAS. É sempre maravilhoso estar com vocês. Obrigado por existirem #amomuito


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Agradecimento especial a @clarabezerra_, também conhecida como minha irmã, pela ajuda na elaboração do texto. Adooooooro! rs.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A desastrosa epopeia do cabaço de Riquelme

O assunto do cabaço de Riquelme virou pauta constante lá em casa. Chegava uma visita desprevenida, lá ia o salivante peludo em sua direção, precipitando seu imenso corpanzil sobre as pernas da desafortunada e iniciando suas obscenidades constrangedoras. Minha mãe não aguentou mais. Exigiu que arrumássemos uma cadela para que o maldito mamute pudesse descarregar sua púbere vivacidade. Após longa procura, conseguimos.

Mel chegaria no dia seguinte. Era fundamental criar uma atmosfera propícia ao romance, afinal é bem sabido que é a primeira impressão que fica. Deu-se início a mobilização para o embelezamento de Riquelme. O passo inicial, sabiamente capitulado por alguém como "descarrapatização", correu bem. Ele pareceu gostar, dando os tradicionais chutinhos quando tocávamos em alguma zona cocegarígena. Ao final, percebi um olhar meio nostálgico, como se ali estivesse se despedindo de bons e velhos amigos, que há meses compartilhavam de seu sangue.

O banho. Morando cinco bestas preguiçosas nesta residência, achamos por bem enviar o quadrúpede para cuidados profissionais. Gosto de pensar que sua higienização foi como um verdadeiro ritual de ofurô, acompanhado de suave música canina e velas com essência de tutano. Até consigo imaginar sua cara de satisfação, revirando os olhinhos enquanto escorria litros e mais litros de baba. Ele voltou todo cheio dos não me toques, trajando uma gravatinha colorida estilo pré-adolescente-"tou-na-moda".

Não é difícil supor que Riquelme estivesse já com aquilo pela cabeça. Segundo explicam os estudiosos, cada ano canino equivale a sete dos humanos. Utilizando nossa contagem, o pobre permanecia virgem quase aos trinta anos. Trinta anos! Deus sabe o que deve ter passado por sua cabeça quando Mel entrou pelo portão, lacinho cor-de-rosa na cabeça, andar de rechonchuda elegante, exalando talco e óvulos. Deve ter ficado louco.

Uma verdadeira plateia armou-se, por trás do vidro, para acompanhar o acontecimento. Após o cheira-cheira inicial, o jogo de sedução começou. Riquelme mostrou-se um autêntico gentledog, oferecendo o seu buraco na areia para o descanso da donzela. Só o tapete é que a impediu de usar, por certo querendo mostrar que também precisava de um espaço só para si. Passearam pelo jardim, rolaram pela grama, dividiram o balde d'água – a simbiose mágica, o amor. Quase.

Faltava o gran finale, a apoteose, o final fatality. Faltava a cópula e estariam todos, da minha mãe às visitas, da proprietária de Mel aos astros, estaríamos todos exultantes de felicidade, abraçando-nos em meio a estouros de champanhe e votos de boas festas. Mas não. Víamos o erguer das patas, que não revelavam mais que um peso sobre as costas da cachorra. Víamos os inócuos movimentos, sem qualquer propósito, a la comédia de besteirol americano. Víamos a face impaciente da bichinha, que, desapontada, começava a pensar que o problema era consigo. Víamos e, impotentes, não podíamos fazer nada. Riquelme não conseguiu.


Riquelme (a esq.) revira os olhos e faz carinho em Mel. Ele não conseguiu.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Escadinha do preconceito

Sinto muito, mas naquele planeta eu não piso meus jupiterianos pezinhos azuis. Por mim, tanto faz se seus habitantes esquentam a temperatura de seu chiqueiro e elevam seus ridículos mares. Para uma raça tão inferior, tão ignóbil, nada mais de se esperar além do seu auto-aniquilamento. Pois que se afoguem todos de mãos dadas, criaturas desprezíveis e que enojam nossa galáxia. Daqui do alto de um verdadeiro astro vialacteano – grande, pomposo e sublime –, verei com prazer a derrocada, mais do que na hora, desse ninho de urubus fétidos, que chamam Terra.

Ah, já ouvi, sim, falar de lá. Não é aquele país das bundas maravilhosas? Nossa, man, aquelas mulheres são quentes! Deve ser um tesão fazer sexo com elas no meio da selva, com os gorilas batendo os punhos no peito. Mas, vem cá, como é vocês conseguem se segurar naqueles cipós e se movimentar around? E outra, tem o lance dos canibais, né? Bem que podiam mandar a cambada de mexicanos para lá. Que ardam junto com todos aqueles barbudos terroristas, que querem destruir nossa grande pátria democrática. Pensando bem, acho melhor ficar aqui mesmo, sentadinho com meu Méqui, a salvo dos perigos desse resto de mundo.

É o que te digo... enquanto essa pobrada iletrada permanecer fazendo parte do nosso país, nós não temos jeito, mano! Nós que trampamos o ano inteiro, produzimos toda a riqueza da nação, temos que manter um bando de preguiçoso aproveitador? Esse povo não faz nada e ainda recebe bolsa-esmola do governo! O que é mais revoltante é que deixam o voto deles ter o mesmo valor que o meu. Não tem, mano! Eu trabalho! Eu tenho carro! Eu sou alfabetizado! Não posso ser comparado àqueles cabeças chatas do norte. Depois de invadirem nossa cidade, trazendo aquele sotaque patético, ainda querem escolher o presidente do Brasil? Pois se ouvir falarem um "ti", ao invés de "txi", vou meter lamparada na cara deles, para aprenderem a respeitar nossa elite!


***

Segundo o Aurélio, etnocentrismo é a "tendência do pensamento a considerar as categorias, normas e valores da própria sociedade ou cultura como parâmetro aplicável a todas as demais". O mundo não é Júpiter, a Terra não é os Estados Unidos, o Brasil não é o Sul-Sudeste. A diferença faz parte da vida. A diferença é a própria vida. Toda forma de preconceito é burra. Toda forma de preconceito esconde ignorância ou recalque.