quarta-feira, 23 de junho de 2010

O ganso de Reginaldo

Tenho que contar a história de Reginaldo. O nome é fictício, apesar de, imagino, ele não fazer qualquer objeção à divulgação. Ele estuda comigo, mas só hoje conheci. Conheci, digo, bebi com ele. Antes, só cumprimentos. Passava por minha carteira, oclinhos de aro grosso, preto, mochila nas costas, cabelo comportado, mandava um "e aí" e lá ia para o seu extremo fundão da sala. Saí do bar inda agora, o boteco do China. Ele, desta vez, sentou-se à mesa em que eu estava e conosco ficou até o horário do seu metrô. Reginaldo é o cara mais louco que já conheci.

Sua trajetória renderia mais uma saga. Mas acredito que cansaria e este blog não é o local mais apropriado para contar. Escolhi, então, apenas uma de suas histórias, que ele acaba de confidenciar a seis, sete pessoas – algumas, meninas. Palestrou em alto e bom som, desprovido de qualquer acanho. Ainda que não o conheçam, acreditem em mim, é tudo verdade. Depois conto mais das suas; serão ainda três anos e meio de faculdade ao seu lado.

Reginaldo comeu um ganso.

O meu companheiro de classe também já não faz a primeira faculdade. Passou por Filosofia, por Direito, agora aventura-se no Jornalismo. Quer cobrir política. Nasceu no interior de São Paulo, zona agrária, neto do maior latifundiário local. Muito estudioso desde cedo, acabou aprendendo nos livros a origem da expressão "afogar o ganso". Segundo conta (e o Google atesta), a lenda surgiu na Antiguidade, quando os chineses, buscando atingir o Nirvana, afogavam a ave em meio à prática zoofílica.

Funcionava assim: o chinesinho estava lá, num lago, transando com o pobre ganso. Quando estava próximo ao clímax, apertava seu pescoço e submergia sua cabeça na água. Acontece que, nesse momento, pouco antes de morrer afogada, a formosa ave, involuntariamente, ativa um mecanismo biológico que comprime a sua cloaca. Em outras palavras, o afogamento do ganso travava o pinto do japa e ele experimentava um prazer sexual inigualável.

Pois, Reginaldo quis saber se a lenda procedia. Comeu um ganso no sítio do avô. Não só ganso. Transou também com árvores, com tortas e vários outros excitantes objetos. Um que apreciava bastante era a luva. Pegava na cozinha da mãe uma daquelas luvas de silicone. Preenchia-a com espaguete, de preferência com molho branco, e mandava ver. Não nos disse o que fazia depois com a mistura. Era, o que chamam, pansexual, assumido. Hoje, felicíssimo com o tratamento do seu psiquiatra, totalmente curado, diz que a loucura passou, só participa de orgias entre humanos mesmo.


5 comentários:

  1. auehuaheuaheuh
    Eu posso afirmar que tudo que o Reginaldo disse é verdade. Sem pudor nenhum, o cara vai contando os seus causos de arrepiar qualquer pessoa. É muito egraçado!

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  2. Confesso que não li ainda todos os textos, mas esse é mais um de meus projetos.
    O do Reginaldo e do ganso (deveríamos nomeá-lo também, pobre coitado) eu tive que ler.
    Aliás, já é uma das minhas histórias mais contadas dos últimos tempos...
    Penso muito nesse ganso, que teve este terrível fim: estuprado e afogado, para virar história de mesa de bar.

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  3. Bixo cuidado com esse cara!! Pra quem comeu um ganso pra comer sua bundinha é um pulo...

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  4. E o pessoal achando um absurdo a tortinha do Amrican Pie...

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